MERCADO & SAÚDE — semaglutida genérica no Brasil 2026: a boa notícia do preço menor e o alerta que ninguém quer ouvir junto.
A patente da semaglutida venceu no dia 20 de março de 2026, a ANVISA analisa hoje 17 pedidos de registro de versões genéricas do princípio ativo do Ozempic, e o preço pode cair entre 50% e 60% — de cerca de R$ 1.000 para algo entre R$ 400 e R$ 650 mensais. O que ninguém está colocando na manchete: sem treino de força, boa parte desse emagrecimento vai sair do músculo, não da gordura.
A queda de patente abriu corrida entre laboratórios nacionais. Segundo a própria ANVISA, oito pedidos de novos medicamentos à base de semaglutida estão em análise ativa — sete de origem sintética e um biológico — e outros nove aguardam início de revisão técnica. EMS e Ávita Care estão nos estágios mais avançados, mas dois processos ainda estão em fase de exigência, com prazo para resposta das empresas até o fim de junho. Isso significa que as primeiras aprovações, se saírem, virão no segundo semestre de 2026, ou só em 2027.
Mesmo assim, o efeito psicológico já está ativo: a perspectiva de um Ozempic acessível mobiliza uma população de potenciais usuários que nunca cogitou o medicamento ao preço atual. E é exatamente aí que mora o problema que o mercado fitness vai ter de encarar de frente.
Semaglutida genérica e músculo: o que os estudos dizem sobre GLP-1
A análise de composição corporal do estudo STEP 1 — publicada no New England Journal of Medicine em 2021 e ainda referência para o debate — mostrou que participantes tratados com semaglutida 2,4 mg reduziram a massa magra absoluta em 9,7% ao longo de 68 semanas. Análises posteriores indicam que, dependendo do protocolo e do perfil do paciente, entre 40% e 45% do peso total perdido com agonistas de GLP-1 pode vir de massa magra — não de gordura.
Uma revisão integrativa publicada nesta terça (12) no periódico Lumen et Virtus (DOI: 10.56238/levv17n57-073), com 25 autores e análise de 19 estudos clínicos, concluiu que “há redução absoluta da massa magra, geralmente proporcionalmente menor em relação à perda total de peso” — mas que o risco de sarcopenia é real, em especial em pacientes que não associam exercício resistido ao tratamento farmacológico. O risco é mais grave em adultos com mais de 60 anos.
Artigo de revisão publicado no Journal of Social Issues and Health Sciences reforça que as estratégias de prevenção com maior nível de evidência — grau A, sustentadas por ensaios clínicos e metanálises — são a ingestão proteica adequada (1 a 1,5 g/kg/dia) e o exercício resistido realizado de duas a quatro vezes por semana com carga progressiva. Traduzindo: musculação não é um extra, é parte do protocolo.
O que as academias precisam preparar
Com um Ozempic genérico chegando — mesmo que alguns meses mais tarde do que o otimismo inicial do mercado sugeria — a demanda por orientação especializada em treino de força para quem está em uso de GLP-1 vai crescer de forma abrupta. Profissionais de educação física precisarão saber avaliar composição corporal, prescrever treino resistido e alinhar o trabalho com nutricionistas e médicos. Academias que já oferecem esse protocolo integrado estão um passo à frente.
A ANVISA não tem prazo definido para concluir as análises dos processos em exigência. A Revista Maromba acompanha o andamento dos registros e atualiza assim que houver decisão do órgão.
Fontes
- ANVISA — Atualização sobre pedidos de registro de semaglutida (2026)
- VoySaúde — Semaglutida genérica: guia completo 2026
- NEJM / PMC — Análise de composição corporal STEP 1 (exploratory DXA substudy)
- Lumen et Virtus — Impacto do uso de semaglutida na massa magra e no risco de sarcopenia (fev. 2026)
- JSIHS — Estratégias de prevenção e controle da sarcopenia em pacientes com obesidade em tratamento com agonistas de GLP-1



