MERCADO — A maior virada de um energético fitness em anos não foi suficiente para acalmar Wall Street.

A Celsius Holdings reportou receita recorde de US$ 782,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 138% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo release oficial divulgado em 7 de maio. O resultado bateu as projeções dos analistas — o lucro por ação ajustado foi de US$ 0,41, contra estimativa de US$ 0,30. Ainda assim, as ações da empresa (CELH) fecharam em queda de até 11,7% nesta semana, registrando um dos piores pregões dos últimos seis meses.

O salto de receita reflete diretamente as aquisições da Alani Nu, concluída em abril de 2025, e da Rockstar Energy, incorporada em agosto do mesmo ano. Só a Alani Nu gerou US$ 368,1 milhões no trimestre — crescimento de 100% em comparação com o ano anterior para o período de 13 semanas encerrado em 29 de março de 2026. A marca se beneficiou da migração para o sistema de distribuição da PepsiCo, parceira estratégica da Celsius.

Com o portfólio combinado — Celsius, Alani Nu e Rockstar —, a empresa alcançou 20,9% de participação no mercado americano de bebidas energéticas no primeiro trimestre, tornando-se a terceira maior força do segmento nos EUA. Red Bull lidera com 34,7%, seguida pela Monster Energy com 32,6%.

O problema está nas margens. A margem bruta consolidada recuou para 48,3% — queda de cerca de 400 pontos-base em relação ao Q1 de 2025. Tanto a Alani Nu quanto a Rockstar têm margens mais comprimidas do que a marca principal Celsius, e analistas do Morgan Stanley reduziram o preço-alvo da ação de US$ 64 para US$ 55 citando custos crescentes de alumínio e frete. O JP Morgan foi na direção oposta e elevou seu target para US$ 70, apostando na escala de longo prazo.

A receita da marca Celsius em si cresceu apenas 6% no período — dado que expõe a dependência crescente das marcas adquiridas para sustentar os números agregados. O mercado agora espera que a empresa apresente um plano claro de expansão de margem nos próximos trimestres para reconquistar a confiança dos investidores.


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